sábado, 23 de abril de 2011

O SOL E A VISÃO

O Mito da Caverna narrado por Platão no livro VII do Republica é, talvez, uma das mais poderosas metáforas imaginadas pela filosofia, em qualquer tempo, para descrever a situação geral em que se encontra a humanidade. E podemos trazer esta reflexão para dentro de nossa ação pedagógica. Para o filósofo, todos nós estamos condenados a ver sombras a nossa frente e tomá-las como verdadeiras. Essa poderosa crítica à condição dos homens, escrita há quase 2500 anos atrás, inspirou e ainda inspira inúmeras reflexões pelos tempos a fora. Quero usar o texto do livro de José Saramago A Caverna. Platão viu a maioria da humanidade condenada a uma infeliz condição. Imaginou (no Livro VII de A República, um diálogo escrito entre 380-370 a.C.) todos presos desde a infância no fundo de uma caverna, imobilizados, obrigados pelas correntes que os atavam a olharem sempre a parede em frente. O que veriam então? Supondo a seguir que existissem algumas pessoas, uns prisioneiros, carregando para lá para cá, sobre suas cabeças, estatuetas de homens, de animais, vasos, bacias e outros vasilhames, por detrás do muro onde os demais estavam encadeados, havendo ainda uma escassa iluminação vinda do fundo do subterrâneo, disse que os habitantes daquele triste lugar só poderiam enxergar o bruxuleio das sombras daqueles objetos, surgindo e se desfazendo diante deles. Era assim que viviam os homens, concluiu ele. Acreditavam que as imagens fantasmagóricas que apareciam aos seus olhos (que Platão chama de ídolos) eram verdadeiras, tomando o espectro pela realidade. A sua existência era, pois inteiramente dominada pela ignorância (agnóia). Se por um acaso, segue Platão na sua narrativa, alguém resolvesse libertar um daqueles pobres diabos da sua pesarosa ignorância e o levasse ainda que arrastado para longe daquela caverna, o que poderia então suceder-lhe? Num primeiro momento, chegando do lado de fora, ele nada enxergaria, ofuscado pela extrema luminosidade do exuberante Hélio, o Sol, que tudo pode, que tudo provê e vê. Mas, depois, aclimatado ele iria desvendando aos poucos, como se fosse alguém que lentamente recuperasse a visão, as manchas, as imagens, e, finalmente, uma infinidade outra de objetos maravilhosos que o cercavam. Assim, ainda estupefato, ele se depararia com a existência de um outro mundo, totalmente oposto ao do subterrâneo em que fora criado. O universo da ciência (gnose) e o do conhecimento (espiteme), por inteiro, se escancarava perante ele, podendo então vislumbrar e embevecer-se com o mundo das formas perfeitas. As Com essa metáfora - o tão justamente famoso Mito da Caverna - Platão quis mostrar muitas coisas. Uma delas é que é sempre doloroso chegar-se ao conhecimento, tendo-se que percorrer caminhos bem definidos para alcançá-lo, pois romper com a inércia da ignorância (agnosis) requer sacrifícios. A primeira etapa a ser atingida é a da opinião (doxa), quando o indivíduo que ergueu-se das profundezas da caverna tem o seu primeiro contanto com as novas e imprecisas imagens exteriores. Nesse primeiro instante, ele não as consegue captar na totalidade, vendo apenas algo impressionista flutuar a sua frente. No momento seguinte, porém, persistindo em seu olhar inquisidor, ele finalmente poderá ver o objeto na sua integralidade, com os seus perfis bem definidos. Ai então ele atingirá o conhecimento (episteme). Essa busca não se limita a descobrir a verdade dos objetos, mas algo bem mais superior: chegar à contemplação das idéias morais que regem a sociedade - o bem (agathón), o belo (to kalón) e a justiça (dikaiosyne).
Platão então pergunta (pela boca de Sócrates, personagem central do diálogo A República), o que aconteceria se este ser que repentinamente descobriu as maravilhas do mundo dominado por Hélio, o fabuloso universo inteligível, descesse de volta à caverna? Como ele seria recebido? Certamente que os que se encontram encadeados fariam mofa dele, colocando abertamente em dúvida a existência desse tal outro mundo que ele disse ter visitado. O recém-vindo certamente seria unanimemente hostilizado. Dessa forma, Platão traçou o desconforto do homem sábio quando é obrigado a conviver com os demais homens comuns. Não acreditam nele, não o levam a sério. Imaginam-no um excêntrico, um idiossincrático, um extravagante, quando não um rematado doido (destino comum a que a maior parte dos cientistas, inventores, e demais revolucionários do pensamento tiveram que enfrentar ao longo da história).

quinta-feira, 21 de abril de 2011

A ESCOLA QUE QUEREMOS

A ESCOLA QUE QUEREMOS, pode começar a existir a partir de pequenas ações realizadas pelos sujeitos envolvidos no ambiente escolar. Diz à lenda que havia uma imensa floresta onde viviam milhares de animais, aves e insetos. Certo dia uma enorme coluna de fumaça foi avistada ao longe e, em pouco tempo, embaladas pelo vento, as chamas já eram visíveis por uma das copas das árvores. Os animais assustados diante da terrível ameaça de morrerem queimados, fugiam o mais rápido que podiam, exceto um pequeno beija-flor. Este passava zunindo como uma flecha indo veloz em direção ao foco do incêndio e dava um vôo quase rasante por uma das labaredas, em seguida voltava ligeiro em direção a um pequeno lago que ficava no centro da floresta. Incansável em sua tarefa e bastante ligeiro, ele chamou a atenção de um elefante, que com suas orelhas imensas ouviu suas idas e vindas pelo caminho, e curioso para saber por que o pequenino não procurava também afastar-se do perigo como todos os outros animais, pediu-lhe gentilmente que o escutasse, ao que ele prontamente atendeu, pairando no ar a pequena distância do gigantesco curioso.Meu amiguinho, notei que tem voado várias vezes ao local do incêndio, não percebe o perigo que está correndo? Se retardar a sua fuga talvez não haja mais tempo de salvar a si próprio! O que você está fazendo de tão importante? Tem razão senhor elefante, há mesmo um grande perigo em meio aquelas chamas, mas acredito que se eu conseguir levar um pouco de água em cada vôo que fizer do lago até lá, estarei fazendo a minha parte para evitar que nossa mãe floresta seja destruída. Em menos de um segundo o enorme animal marchou rapidamente atrás do beija-flor e, com sua vigorosa capacidade, acrescentou centenas de litros d’água às pequenas gotinhas que ele lançava sobre as chamas. Notando o esforço dos dois, em meio ao vapor que subia vitorioso dentre alguns troncos carbonizados, outros animais lançaram-se ao lago formando um imenso exército de combate ao fogo. Quando a noite chegou, os animais da floresta exaustos pela dura batalha e um pouco chamuscados pelas brasas e chamas que lhes fustigaram, sentaram-se sobre a relva que duramente protegeram e contemplaram um luar como nunca antes haviam notado. PEQUENAS ATITUDES FAZEM TODA A DIFERENÇA. É possível humanizar, falar a linguagem contextualizada, ensinar de forma contemporânea, permitir o dialogo do discente com a escola. Existe a necessidade de a escola falar a linguagem do aluno. O que temos visto é uma dificuldade da Escola falar a linguagem dos estudantes.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

ADORAR TRAZENDO OURO ADORAR TRAZENDO A PRATA


Na sexta-feira, dia 08/04/2011 Pr Clodoaldo Reis Azarias, reuniu os lideres da Igreja Avivamento Bíblico em Campo Mourão, Para fazer uma avaliação do trabalho nos últimos dois anos , tendo avaliação positiva por todos os líderes presentes. Na ocasião o Pr Clodoaldo fez uma explicação de como o trabalho tem sido mantido financeiramente nos últimos tempos, e falou de sua satisfação em trabalhar na cidade de Campo Mourão. Outro assunto em Pauta foi a necessidade da aquisição de um terreno, ou prédio próprio para a Igreja na cidade.
Então foi criado o FUNDO/POUPANÇA para aquisição. Será levantado um grupo de pessoas que contribuirão mensalmente para este fundo/poupança para aquisição deste terreno.
E você pode fazer parte deste projeto deixe um recado e seu e-mail  que entraremos em contato contigo.  

sexta-feira, 8 de abril de 2011

HÁ MOMENTO QUE DEUS SE CALA...


Existem momentos que a gente não gostaria de viver. O convívio com a decepção com as frustrações e as perdas é terrível. Quando se perde alguém, ou quando uma tragédia nefasta aflige. Meu Deus como dói! É uma dor insuportável. Nessa hora perguntamos onde está Deus, por que Ele permite estas coisas? Parece que Deus está impassível diante disto. Não tenho a intenção de defender Deus neste texto, não tenho a pretensão de me portar como um apologético, e nem precisa, Deus é Deus independente de mim defende-lo ou criticá-lo. Mas nestas horas me lembro de uma palavra de Jesus: “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também. Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho. Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”, Jo 14:1-6. No caos, na dor, na catástrofe temos um consolador. O Espírito Santo, que nos transmite uma paz inexplicável. E da mesma maneira também o Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis. “Aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pelos santos. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito, Rm 8:26-28.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O CARDÃO DOS PUXA-SACO CADA FEZ AUMENTA MAIS...


Um dia destes me deparei com um tema que mexeu com minhas estruturas. Tenho opinião formada, discuto idéias, respeito opiniões, tenho lado político. Uma coisa que acho que os seres humanos tem e que faz de nós especiais é o senso critico e a capacidade de discordar e concordar, elogiar e fazer críticas. Pois, bem, acho que elogiar as virtudes e as qualidades que das pessoas possuem é uma atitude de nobreza. Mas, existem aqueles que acham que elogios e uma atitude de puxa-saco!  A expressão puxa-saco começou a ser usada na gíria militar. Os oficiais não colocavam suas roupas em malas, mas em sacos durante as viagens. Mas quem carregava obedientemente, a bagagem para cima e para baixo eram os soldados. Puxar esses sacos virou sinônimo de subserviência. E o puxa-saco passou a definir todos que bajulavam superiores ou qualquer outra pessoa. Prefiro os que me criticam porque me corrigem aos que me elogiam porque me corrompem. (Santo Agostinho). Os aduladores são como as plantas parasitas que abraçam o tronco e ramos de uma árvore para melhor a aproveitar e consumir. (Marquês de Maricá). Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda. (Epicteto).
A honestidade na lida diária foi ensinada pelo Mestre e Todos, Jesus criticou Herodes, elogiou Natanael, Confrontou Nicodemos, Advertiu a mulher Samaritana. Paulo elogiou, criticou, confrontou, por que tinha opinião formada.

sábado, 2 de abril de 2011

Ele está nu...Olhem o rei está nu...


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...não sejam meninos no entendimento, mas sede meninos na malícia, e adultos no entendimento. 1 Coríntios 14:20
Há algum tempo li um conto infantil que me fez refletir, me fez pensar seriamente em algumas situações da vida cotidiana. Um rei exageradamente vaidoso recebeu alguns hóspedes e entre eles dois trapaceiros. Eles apresentaram-se como tecelões e que fabricavam tecidos invisíveis, mas, apenas as pessoas inteligentes tinham a capacidade de ver os tecidos invisíveis. O Rei encomendou uma roupa especial com os tecidos invisíveis. A noticia se espalhou na cidade. Todos na cidade conheciam o maravilhoso poder do tecido e cada qual estava mais ansioso para saber quem não teria capacidade de ver o tecido, para chamá-lo de estúpido. O rei mandou seu ministro observar o trabalho dos tecelões. Ele, melhor do que ninguém poderá ver o tecido, pois é um homem inteligente. Assim sendo, mandou o velho ministro ver os dois embusteiros trabalhar nos tecidos.  "Deus nos acuda!" pensou o velho ministro, abrindo bem os olhos. "Não consigo ver nada!" Mas, teve o cuidado de não declarar isso em voz alta. Para não ser chamado de tolo. Algum tempo depois, o rei enviou outro fiel oficial para olhar o andamento do trabalho e saber se ficaria pronto em breve. A mesma coisa lhe aconteceu: olhou, tornou a olhar, mas só via os teares vazios. Eu penso que não sou um tolo, refletiu o homem. O Rei acompanhado por um grupo de cortesões, entre os quais se achavam os dois que já tinham ido ver o imaginário tecido, foi ele visitar os dois astuciosos impostores. É magnífico! Disseram os dois altos funcionários do rei. Veja Majestade, que delicadeza de desenho! Que combinação de cores!O rei, que nada via, horrorizado pensou: "Serei eu um tolo e não estarei em condições de ser rei? Nada pior do que isso poderia acontecer-me!"Então, bem alto, declarou: Que beleza! Aconselharam eles ao rei que usasse a nova roupa, feita daquele tecido, por ocasião de um desfile, que se ia realizar daí a alguns dias. O rei, acompanhado dos cortesões, vestiu a nova roupa e virava-se para lá e para cá, olhando-se no espelho e vendo sempre a mesma imagem, de seu corpo nu. Chegou o dia do rei mostrar as novas roupas ao publico. O povo, nas calçadas e nas janelas, não querendo passar por tolo, exclamava: Que linda é a nova roupa do rei! Que belo manto! Que perfeição de tecido! Nenhuma roupa do rei obtivera antes tamanho sucesso! Porém, uma criança que estava entre a multidão, em sua imensa inocência, achou aquilo tudo muito estranho e gritou: Coitado!!! Ele está nu!! O rei está nu!!! Ele está nu! Ele está nu! O rei, ao ouvir esses comentários, ficou furioso por estar representando um papel tão ridículo! Quantas vezes fazemos papeis ridículos, como diria os jovens, pagamos o maior “mico”. Não queremos encarar a verdade e deixamos para que os outros nos avise e por vezes isto não acontece. Quantas vezes somos pegos desprevenidos. Aqueles que deveriam nos alertar se calam. Às vezes nos falta à humildade para reconhecermos o erro. Eu encerro esta reflexão com um conselho do Apóstolo Paulo aos Coríntios: “aquele que está em pé cuide que não caia” 1 Co 10:12.